terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A Rua de Baixo - Uma crônica de Virgínia Abreu de Paula

 Minha memorialista preferida nos encanta agora com histórias de sua cidade... Montes Claros-MG

Tenho que registrar aqui esta introdução!

Qeu relato delicioso!

RUA DE BAIXO

Introdução


            No “tempo antigo”, como dizia minha avó Lica, Montes Claros era naturalmente dividida em duas regiões distintas, às vezes chamadas de Rua de Baixo e Rua de Cima. Separadas pelo Largo de Baixo, mais tarde Praça Dr. Chaves, as duas eram tão diferentes uma da outra quanto a zona norte e a zona sul do Rio de Janeiro.   Eram diferentes também na política e até na música. Tinham suas próprias bandas.  A banda “de baixo” chamava-se Euterpe Montesclarense escrito sem o hífen. Fundada no tempo do Império por Dona Eva Bárbara Teixeira, a banda desfilou pela primeira vez no dia 3 de Julho de 1857, quando a Vila de Formigas foi elevada à categoria de Cidade de Montes Claros.  Seus músicos eram monarquistas até à medula, razão pela qual se recusaram a tocar em comemoração à Proclamação da República. Alguns anos mais tarde, surgiu a Banda Operária do partido “de cima”. Na época do império, grande parte dos moradores da região “baixa” pertencia ao partido liberal trazido para a cidade por Antonio Xavier de Mendonça entre outros. Isso significava que, embora apoiassem o Imperador, lutavam pela abolição da escravatura. Com a queda do império, as diferenças permaneceram. 

   Apesar do antagonismo político, não creio ser essa a causa da diferença no viver. Os habitantes da parte logo acima do Largo  da Matriz, seguiam os Prates na política, exatamente como os habitantes das ruas de Baixo.  Muitos com Prates no sobrenome.  E levavam o mesmo “sofisticado” estilo de vida dos membros do partido de cima, ligados ao Dr. João Alves.  Portanto, a causa da diferença permanece misteriosa. O pessoal de cima, com exceções, parecia ser menos tradicionalista, enquanto os moradores da Rua de Baixo, ou seja, da Rua Padre Teixeira e arredores, eram conservadores, vivendo numa região riquíssima em cultura popular, onde as tradições eram mantidas. Vale dizer ser a região mais antiga da cidade, onde toda nossa história começou. Daí o visual “ouro-pretano”. Houve um tempo, já bem longínquo, que esse era o visual de toda a cidade. Mas enquanto construções modernas surgiam na parte de cima, a parte de baixo mantinha seu estilo barroco parecendo guardar ali a alma mineira como dentro de um relicário. 

  “Éramos uma única família”, conta minha mãe com olhar sonhador. E explica: “A Rua de Baixo era a Padre Teixeira. Mas as pessoas que moravam nas ruas próximas eram todas unidas da mesma forma. Era tudo igual”. 

   O mesmo não acontecia com a outra parte da cidade. Não havia uma rua específica com o nome Rua de Cima. Porém havia o Largo de Cima, a atual Praça Dr. Carlos.  Cyro dos Anjos, no seu livro “A Menina do Sobrado”, fala do seu medo de apanhar se andasse sozinho pelo Largo de Baixo. É que ele residia no Largo de Cima!   

          Na minha infância essa diferença era bastante visível. Eu a sentia dentro de casa. Meu pai era cria da Rua de Cima e minha mãe só deixou a Rua de Baixo após o casamento. Meu avô paterno, Basílio de Paula Ferreira, habitava na Dr.Veloso, isto é, na parte de cima da cidade. E meus avós maternos moravam na Padre Teixeira. As casas eram parecidas, mas não a forma como viviam. Minha tia Maria era uma “cosmopolita”, usando perfumes franceses, com cabeleireira pessoal cuidando dos seus cabelos diariamente e outras sofisticações. Suas primas da Rua de Baixo, embora bem vestidas, eram adeptas da simplicidade.  Vovô Basílio gostava de brincadeiras.  Puxava nossas pernas com a bengala, nos colocava em seu colo, nos fazia cócegas. Se por esquecimento - visto que ele não gostava disso - pedíamos a benção, respondia: “Deus te abençoe, seu nariz é de boi.” E ria alto.

     As visitas aos outros avós aconteciam cerca de uma vez por semana. Lá chegando, o pedido da benção era obrigatório. Vovô Olimpio respondia de forma tradicional, com seriedade, me olhando nos olhos. “Deus te abençoe minha neta”. Os rituais eram sagrados na Rua de Baixo. Eu gostava imensamente das duas casas e dos dois vovôs. Infelizmente, não conheci minha avó Joaquina. 

         Minha mãe manteve expressões usadas na Rua de Baixo por muito tempo, mesmo quando não mais faziam sentido. Ainda mantém algumas. Cito dois exemplos: a “porta da rua” e “o café do meio dia”. Na Padre Teixeira as casas não tinham alpendres. As portas eram voltadas para a rua, daí a expressão. Já na nossa primeira casa, ganhávamos a rua por um corredor lateral.  Mesmo assim, a porta  da sala de visitas era chamada ‘porta da rua” por minha mãe. O motivo só pode ser um: na Padre Teixeira saiam para a rua sempre pela porta da  sala principal. 

      Nossa segunda casa tinha porta para um alpendre. No entender de minha mãe seria essa a porta da rua.  Até que deu certo. Era a única porta de saída da casa sem contar com o portãozinho do fundo do quintal. Porém, em 55, mudamos para uma chácara com a casa lá embaixo. Três portas dando para o alpendre em frente ao muro vizinho. Uma saindo da biblioteca, outra saindo da sala de visitas e a terceira, a mais usada por todos, saindo da sala de jantar. Para chegarmos na rua temos de subir por uma extensa área ajardinada até ao portão que dá acesso à Avenida Coronel Prates. Seria o “portão da rua” sem sombra de dúvida. Portão da rua? Tal expressão nunca existiu na Padre Teixeira do passado. As casas não tinham portões! Com toda certeza minha mãe percebeu que, na parte de cima da cidade, até as casas eram diferentes. Muda-se então  a definição de ‘Porta da Rua” para  a porta principal da casa, a mais usada. Mas a expressão permanece. Ainda hoje ela me pede ao  deitar. “Verifique se a porta da rua está fechada.” 

         Já o “Café do Meio Dia” foi mistério para mim durante muito tempo. Ao meio dia estávamos no almoço. Era comum um cafezinho após a refeição, mas o café do meio-dia era servido às 3 horas da tarde! Por que “do meio-dia?” Resposta: porque era servido ao meio dia na Rua de Baixo! Minha mãe mudou de rua, adaptou-se aos novos horários, mas não mudou a maneira de falar. Ela conta que houve demora na adaptação. Quando solteira, costumava se levantar às cinco da manhã. O almoço já estava pronto às nove. Ao meio dia tomavam o “Café do Meio Dia”. Jantar às três. Lá pelas sete horas da noite vinha uma refeição ligeira. Às nove horas já estavam dormindo. 

        Vem o casamento. Minha mãe mora um ano na casa dos sogros. Hora de levantar: seis horas ou sete! Almoço ao meio dia! Que fome! Às 3 da tarde, o café com pão. Jantar às sete da noite. Recolhimento para dormir só depois das 10 horas! Tudo muito diferente. “Que povo prosa esse da rua de cima”, pensa minha mãe recém-casada, ciente que, do outro lado, estavam dizendo: “Que povo jeca esse da Rua de Baixo.” 

        Claro está que não era  bem assim.  E nem tudo era rivalidade. Meu pai, por exemplo, além de ser “de cima”, tinha estudado fora: Belo Horizonte, Juiz de Fora e Niterói. Tinha alargado bastante os horizontes, sem deixar de ser norte-mineiro. Dava o maior valor às sapiências antigas tão enraizadas na Rua de Baixo. Ao escrever seu livro “Montes Claros, Sua História, Sua Gente e Seus Costumes”, muito se valeu da sogra, sogro e  esposa em suas pesquisas. “Fina, como é mesmo aquela simpatia para ficar bonita?” Resposta de mamãe: “Basta comer cabilouro atrás da porta.!” “Tia Lica, preciso da receita de João Beó para meu livro.” E lá vem vovó com tudo escrito. Foi com eles que aprendeu a  penitência pra chover, a reza para curar espinhela caída e por aí afora. 

    Meu avô colaborou de outra forma. Ficou a seu cargo as partituras musicais de todas as músicas folclóricas e modinhas. Era músico e compositor de mão cheia. Tocava clarineta, foi membro da Orquestra Carlos Gomes e da Banda Euterpe. Fazia sabão, fabricava inseticida com folhas de eucalipto da Chacrinha  (que jamais provocava alergias), e jóias diversas, ourives que era.  Todo seu trabalho era feito num cômodo especial por ele denominado Tenda. Que vontade de rever aquele lugar, de poder visitar a casa inteira. Não sei ainda como fazer isso, mas, posso ter um gostinho através da memória. Convido a todos a irem até lá comigo enquanto recordo certa manhã.

sábado, 31 de janeiro de 2026

OUÇA e LEIA - Man On The Run vai aos cinemas - Cláudio Teran

Todo Domingo é Total, das 7 às 9 da manhã, na Rádio Assunção Cearense!!! 

https://620am.com.br/

É Cláudio Teran quem comanda!!!

Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!

Hoje, conta mais novidades e celebra mais um filme Beatle!!!!

Clique no Play Verdinho


E siga a ler o conteúdo, transcrito abaixo

MAN ON THE RUN VAI AOS CINEMAS

 Entra A Hard Day's Night com a Orquestra de George Martin

Amigos e amigas do Submarino Angolano, Cláudio Teran chegando para mais uma participação direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil. É o momento de saber das novidades do mundo Beatle nas ondas da sua LAC FM.

Beatles ao cair da tarde aqui e agora. Então vamos mergulhar.

“O que acontece quando você acorda de manhã e não está mais na banda de rock mais importante de todos os tempos? ‘Paul McCartney: Man on the Run’, o novo documentário intimista do diretor vencedor do Oscar, Emmy e Grammy, Morgan Neville, explora o renascimento criativo de Paul após o fim dos Beatles”.

Assim começa o texto de um release distribuído nesta semana a imprensa sobre o documentário Man on the Run, que procurou captar o esforço de Paul McCartney para se reinventar e fazer acontecer sua nova banda, Wings, sem a sombra dos Beatles.

 Entra Long Tall Sally com Wings

O filme usa imagens de arquivo nunca vistas e fotografias excepcionais. E inclui entrevistas inéditas com Paul, Linda, Mary e Stella McCartney, vários membros do Wings, além de Ringo Starr, Sean Lennon, Mick Jagger, Chrissie Hynde e outros.

 Entra Cage (Emotional Moments) com Wings

Outra boa novidade deste documentário é que antes da estreia mundial no streaming, haverá um momento especial. Na quinta-feira, dia 19 de Fevereiro, Man on the Run terá uma exibição única e simultânea em alguns cinemas do mundo.

  Segue Cage (Emotional Moments) com Wings

E essa exibição em cinemas selecionados terá uma bossa. Além do filme, incluirá uma conversa bônus entre Paul McCartney e o diretor Morgan Neville. Esse conteúdo é exclusivo para os cinemas. Não vai rolar no streaming.asil e Angola estarão dentro. Então a primeira diversão Beatle de Fevereiro já tem data marcada.

 Entra Reception com Wings ao fundo da fala

Para ver se seu país e sua cidade terão cinemas selecionados para  passar Man on the Run é preciso entrar na página, www.manontherun.film e a partir do dia 4 de fevereiro. Nesse endereço, os fãs terão acesso a venda de ingressos e podem se inscrever para receber por e-mail alertas importantes e atualizações sobre o evento. mas o principal, nesse endereço você vai saber se sua cidade seu país, tem cinema selecionado pra ver quase exclusivamente Man On The Run no cinema,

Man on the Run estará disponível na Prime Video a partir do dia 27 de fevereiro em mais de 240 países e territórios em todo o mundo, o que significa que Brasil e Angola estarão dentro. Então a primeira diversão Beatle de Fevereiro já tem data marcada.

 Entra That’s the Way God Planned It com Billy Preston

Mais um documentário inédito. That’s the Way God Planned It, dirigido pelo vencedor do Emmy, Paris Barclay, resgata a carreira de seis décadas de Billy Preston. Valendo-se de imagens e gravações inéditas, o filme mostra o talento precoce do tecladista.

Com apenas 5 anos, Billy Preston já tocava e acompanhava a lenda do gospel Mahalia Jackson. Aos 10 anos, aparecia em filmes e apresentações com Ray Charles. Aos 15, saiu em turnê pelo mundo com Little Richard e foi parar em Hamburgo, na Alemanha, onde conheceu uma banda que abria os shows. Quem? Os Beatles.

 Entra Will it Go Round in Circles com Billy Preston, com George Harrison ao fundo

Não demorou para Billy Preston ser reconhecido como virtuose dos teclados.

 Entra Get Back dos Beatles com o teclado de Billy Preston

O documentário destaca as contribuições de Preston para os Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton, George, Ringo, Barbra Streisand, Johnny Cash, Neil Diamond, Red Hot Chili Peppers e muitos outros. Mostra também que ele teve uma carreira de sucessos. Um deles, a música que dá título ao filme, foi produzida por George em 1969.

 Volta That’s the Way God Planned It com Billy Preston

Harrison e Preston foram muito amigos. Billy foi tocar no Projeto Get Back trazido pelo guitarrista dos Beatles. E por influência de George ele foi um dos primeiros artistas contratados pela Apple. Aqui no Submarino Angolano mostramos ao longo do ano de 2025, várias participações de George em canções de Billy Preston.

 Entra My Seewt Lord com Billy Preston

My Sweet Lord, maior êxito da carreira solo de George, foi lançada primeiro por Billy, no álbum Encouraging Words, lançado em 1970 que Harrison produziu. .

O diretor Paris Barclay também aborda aspectos da vida pessoal do tecladista. Billy Preston guardava segredos sobre sua sexualidade e tinha traumas pelo abuso sexual que sofreu na infância, assuntos conhecidos por pouquíssimas pessoas. Esses fatos o atormentaram por toda a vida, afetaram seu bem-estar e seus relacionamentos, e também influenciaram em decisões e nas escolhas de sua carreira.

A estreia do documentário That’s the Way God Planned It está programada para o próximo dia 21 no Cinema Film Forum em New York, e ficará em cartaz por uma semana. Depois o doc será exibido em cinemas de 14 cidades nos EUA. A viúva de George, Olivia Harrison, forma no time de produtores executivos do projeto.

 Entra God To Get You Into My Life com The Beatles

A Apple/EMI lançou nas plataformas de streaming três coletâneas dos Beatles que só estão disponíveis em formato digital. Trazem a trilha sonora da série Anthology. O primeiro volume tem 24 canções que tocam nos episódios 1, 2 e 3.

O segundo volume, com 36 faixas, traz a trilha dos episódios 4, 5 e 6. O volume 3 tem 37 músicas dos episódios 7 a 9, mas que o ouvinte não se iluda: as canções selecionadas são gravações de estúdio. já bem conhecidas de todos nós Infelizmente não constam das três coletâneas, gravações ao vivo feitas em shows, muito menos aqueles trechos tocados por George, Paul e Ringo em Friar Park, a mansão vitoriana de George Harrison.

 Entra Hey Jude com The Beatles

A iniciativa das coletâneas foi um acerto que agradou em cheio ao público. Cada uma das faixas tem milhões de acessos. Hey Jude, por exemplo, conta com mais de 727 milhões de audições no Spotify contabilizadas até o fechamento desta edição.

 Entra Get Back com The Beatles, no Rooftop Concert

Para finalizar, vamos de Rooftop Concert, que na sexta completou 57 anos...




The Beatles In My Life: Homenagem da Madrinha a George Martin

Este é o  5º programa mensal especial do Submarino Angolano, 
em que Virgínia Abreu de Paula nos conta 
sobre suas experiências com os Beatles. 

Ela tem hoje 77 anos e viveu Beatles na veia, 
e tem muita história pra contar!

EM BREVE O ÁUDIO

 Clique no play verdinho acima e se quiser leia o que acontece ali abaixo 

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Queridos ouvintes da LAC.  

Virgínia aqui, falando de  Montes Claros, com o episódio Nº6 da série The Beatles In  my Life.

Entra The Beatles com I Want To Hold Your Hand

Sabiam que os Beatles não eram bem considerados no início?  Os comentaristas  americanos, sem exceção, os depreciaram Todos os comentários foram negativos, quando chegaram aos Estados Unidos. E não foi diferente aqui. O rock era mal recebido no geral. Tanto que jamais tocavam nada de rock, na Rádio Jornal do Brasil. 

Vinheta da Rádio Jornal do Brasil

Ah, a minha querida JB. 

Eu não dormia sem ligar a JB para ouvir pelo menos  três músicas, antes de pegar no sono. Tinha fama de ser rádio de músicas selecionadas. Não se preocupavam com paradas  de sucesso. Muita música orquestrada, jazz, bossa nova. Eu gostava muito, e não me preocupava por  excluírem os Beatles. Não esperava que fosse diferente.  

Na JB, eu ficava  sabendo os autores das  músicas. Davam valor aos compositores. Diziam os nomes dos intérpretes, das músicas, e no final, dos autores. Exemplo: Dionne Warwick, Walk on By, de  David e Bacharach


Entra Dionne Warwick, com Walk On By
e


Certa noite, mostram uma música nova para  mim. Linda demais. Bem no estilo JB. Fico aguardando as informações que viriam no final. 

Entra a Orquestra de George Martin, com "All My Loving", dos Beatles

Orquestra de George Martin, All My Loving, de Lennon e McCartney. Chego a me sentar na cama tal é  minha surpresa. Agradabilíssima surpresa!

E foi assim que a JB rendeu-se a Lennon/McCartney

Segue "All My Loving"


Logo estariam incluindo Ella Fitzgerald cantando A Hard Day’s Night,  

Entra Ella Fitzgerald, com "A Hard Days' Night"

 

Matt Monro com Yesterday.,..

Entra Matt Monro, com Yesterday

e muito George Martin, gente.  Acho que estavam loucos para incluírem músicas dos  Beatles, e não podiam. Acharam uma boa desculpa.    



Entra Orquestra de George Martin, com "All I've Got To Do", dos Beatles

Isso aconteceu lá nas Europas também. Paul e John disseram que essas gravações feitas por nomes respeitados fizeram com que prestassem a devida atenção a eles, reconhecendo seu valor.

Cerca de dois anos depois, cai o preconceito de vez na JB. Os próprios Beatles são incluídos na programação. Mas tudo começou com George  Martin, considerado por muitos, como o 5º Beatle. Eu concordo. Musicalmente falando, só musicalmente, seria mesmo o quinto. 

Que sorte danada  tiveram quando a DECCA os rejeitou.  

Entra The Beatles com "Searching" do teste da Decca 

Se tivessem sido contratados, não teriam conhecido George Martin, o produtor mais que perfeito para eles. Entrava na mesma vibração dos Beatles. Conseguia atender aos pedidos confusos de John, como achar um som que os ouvintes sentissem cheiro de serragem, ao ouvi-los.   

Entra The Beatles, com "For The Benefit of Mr.Kite"

Tinha idéias originais, participava dos  arranjos e ainda tocava! Ideia dele, um quarteto de cordas, para Yesterday.  

Entra Quarteto de Cordas de George Martin, com "Yesterday", dos Beatles

E que beleza é seu piano na música In My Life. Com certeza, Homero já explicou como conseguiu aquele som. Não preciso repetir. 

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Entra a vinheta do Papo do Contramestre e sua voz

Ouvi meu nome??

Vale a pena repetir sim, Madrinha!

Movimentos geniais precisam ser enfatizados.

Ocorreu o seguinte: no dia da gravação de In My Life, os Beatles deixaram um espaço ali no meio da canção entre os versos para ser preenchido com um solo de George, o Harrison, ou algo assim. Mas John pediu para o outro George, o Martin, resolver. Faz algo que lembre Bach, disse o compositor da canção.  Ele reservou pra ele uma hora no estúdio em 22 de outubro de 1965. Sendo Back o objetivo, barroco,  pensou num cravo, não tinha à mão, tentou fazer algo no órgão Hammond, não gostou, e pensou: Vou fazer o piano parecer um cravo! Sentou-se ao piano compôs o som, colocou na partitura, e tocou, mas na metade da velocidade e uma oitava abaixo.  
 
           Entra o solo de estúdio, mais grave e lento

Depois, acelerou a fita, com o dobro da velocidade e o que saiu pareceu um cravo. Quando os Beatles chegaram para gravar Nowhere Man, mostrou pra eles, 

Entra o solo do disco, mais rápido e agudo

e John aprovou na hora. Genius Man!!

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De volta à Madrinha

Mas sabiam que ele fez aulas de oboé com Margareth Elliot, a mãe de Jane Asher,  que foi noiva de Paul?  

Isso bem antes de conhecer os Beatles. 

           Entra conversa de George Martin com Margareth Elliot

Creio ter sido em 65, que chegou aqui o filme  Ferry Cross the  Mersey aqui em Montes Claros. Fui quatro vezes ao cinema. 

           Entra cena do filme, anunciando Gerry and The Peacemakers e os próprios cantando Ferry Cross The Mersey

Fui quatro vezes ao cinema. Não tanto por Gerry and the  Pacemakers, astros do filme. Eu gostava deles, mas uma vez seria o suficiente. Só que o filme é passado em Liverpool! Na primeira vez, certa hora, eu soltei um grito! –“O  que foi, Virginia!”, pergunta  Leila a meu lado. “Viu a placa? Escrito Speke. Paul e George moravam lá!” – Hora de Leila gritar  também. Motivo mais que justificado. Pena que os garotos nas motos seguiram em frente pela estrada, sem entrar em Speke.

E tinha aquela música em especial, só com orquestra, num ritmo que, depois, foi chamado iê, iê, iê, aqui no Brasil. Na 3ª vez, já a sabia de cor. Bastava cantá-la para me sentir em Liverpool. Num dia de calma, sentindo a brisa marinha...All Quiet in the Mersey Front, é o título. Autor: George Martin

Entra a Orquestra de George Martin com "All Quiet in the Mersey Front"



Já nos anos setenta, minha prima Verônica resolveu montar uma peça teatral com dois poemas famosos.  O Caçador das Esmeraldas, de Olavo  Bilac e Navio  Negreiro de Castro Alves. Já tinha a música para o primeiro: Era uma Vez no  Oeste,  de  Morricone.   

Entra Ennio Morricone com o tema de Era Uma Vez no Oeste

 

Faltava a música para o segundo. Precisando ensaiar em casa, lembra que o disco do Submarino Amarelo,  tinha o  Lado B orquestrado. Resolve  experimentar, só mesmo para o ensaio. 

Entra a Orquestra de George Martin com "Pepperland"

Foi de rir, de tão certo deu. Quando ela precisava levantar mais a voz, a música levantava. Se precisava falar suave, a música suavizava, como  se tivesse sido composta para o poema! 

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!

Desce mais ... inda mais..  

E a música descia!  De quem era a música? De George Martin.

Segue "Pepperland"

 Em 1982, sai álbum novo de Paul McCartney. 

Entra Paul McCartney com "Tug of War"

Eu achava seus discos solo fraquinhos. Tinha  músicas boas, mas grande parte ficava a dever, para meu gosto. Mas que surpresa boa! O novo álbum estava primoroso, mais elaborado e aquela orquestra que entra em Tug of War é arrepiante.  

Entra a Orquestra de George Martin isolada mais vocais isolados em "Tug of War"

Pego a capa, e, ora veja, foi produzido por GeorgeMartin!  Graças a Deus, Paul tinha acordado e visto que faltava ele. Já não faltava  mais. 

George  Martin esteve duas vezes no Brasil. Em 1993, na Quinta da Boa Vista, no Rio para um grande espetáculo do Projeto Aquarius, sob a direção artística de Péricles de Barros. O concerto comemorava os 30 anos do primeiro sucesso dos Beatles, por isso o convidaram. Uma noite de temporal, nem teve a apresentação da orquestra sinfônica. Mas teve outros participantes, incluindo George Martin e as Meninas Cantoras de Petrópolis que cantaram para cerca de 100.000 pessoas. 

Sucesso estrondoso! Retornou em 1997 tendo a gratissima surpresa de ser recebido pela Meninas Cantoras de Petrópolis  no aeroporto  cantando 

Because” 

Entra "Because", dos Beatles, com As Meninas Cantoras de Petrópolis

Cantando como anjos, como Martin comentou.  Visivelmente emocionado, até fez a regência. 

Numa  dessas duas vezes, ele  se encontrou para um jantar com nada  menos que Tom Jobim. 

Entra "Golden Slumbers"/"Carry That Weight"/"The End", dos Beatles

com Phil Collins

Um ano depois, aposentou-se pois estava perdendo a audição, saindo da cena musical em  grande estilo. Produziu o disco “In  My Life”, com músicas dos Beatles, interpretados por cantores famosos como

Celine Dion

Entra Celine Dion

com "Here, There and Everywhere",

dos Beatles

 Jeff Back,

Entra o guitarrista Jeff Beck

com "A Day in the Life",

dos Beatles

e atores  de cinema, como 

Sean Connery, 

Entra Sean Connery declamando "In My Life" dos Beatles

Robin Williams, 

Entra "Come Together", dos Beatles,  com Robin Williams e Bobby McFerrin

Goldie Hawn, 

Entra "A Hard Day's Night", dos Beatles, com Goldie Hawn 

Jim Carrey, que arrasou na sua espetacular interpretação de I Am the Walrus.

Entra "I Am the Walrus", dos Beatles,  com Jim Carrey

Martin nos deixou em 2016, e agora neste 2026, estaria completando 100 anos. Ao ler sobre isso, vi que teria de falar sobre ele. Agradecer por seu legado extraordinário, devidamente reconhecido pela Rainha. Ele tornou-se Cavaleiro do Império Britânico em 1996. E reconhecido por todos nos Beatlemaníacos como o 5º Beatle. Também nos deixou  um  filho  que segue seus passos  com precisão, responsável pelos relançamentos dos discos dos Beatles...e do seu pai: Seu nome é Giles Martin. Foi quem produziu o recente single ”Now and Then”, premiado com o Grammy.  

Entra The Beatles com Now And Then

Vale uma mensagem no final, talvez ele possa ouvir.  

“Sir George Martin,  

God bless you, and  thank you, 

from the bottom of my heart. 

I love you.”

Agora falando para vocês ouvintes: 

Espero que tenham gostado.  

E até a próxima!

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Para ver o 1º episódio, clique aqui

Para ver o 2º episódio, clique aqui

Para ver o 3º episódio, clique aqui

Para ver o 4º episódio, clique aqui

Para ver o 5º episódio, clique aqui

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Cantando no Terraço


Hoje, 57 anos do Rooftop Concert!!!
Desde 2009, ou seja antes do blog, eu celebro o 30 de janeiro.
Era a culminância de 30 dias de trabalho do Projeto Get Back!
Só que desde a última celebração até hoje,
muita coisa aconteceu com referência ao Projeto:
1. Foi lançado um Box com 5 CD's de sons gerados no Projeto;
2. Foi lançado um Livro, com fotos e todas as conversas do Projeto;
3. Foi lançado um documentário com 8 horas de imagens do Projeto;
4. Foi lançada um uma versão mixada do Show do Projeto;
5. Uma exibição em IMAX do Show do Terraço!
É pouco não, né, pra uma banda que acabou há 55 anos going on 56?



No dia 30 de janeiro de 1969, os Beatles se reuniram para aquela que seria a última apresentação ao vivo da banda mais famosa de todos os tempos. E, como tudo que é Beatle, tinha que ser diferente: ela aconteceu no terraço de um edifício, em meio a caixas d'água, torres de calefação, casa de máquinas de elevador, enfim, um local ‘bem’ apropriado! Era o terraço do Edifício da Apple, na 3 Saville Row, centro de Londres!

O porquê desta decisão?? Clique aqui:

Tecnicamente, a apresentação não foi considerada como um concerto, pois havia umas poucas dezenas de técnicos e uns poucos parentes vendo E ouvindo a banda. Já o número de apenas ouvintes foi bem maior, mas nunca foi calculado. 

Beatles agasalhados, cenário montado, som testado, começou o show. Aos primeiros acordes, as pessoas que caminhavam nas antes calmas ruas da vizinhança começaram a olhar para o alto (É um pássaro? É um avião?), outras começaram a pipocar nas janelas dos edifícios vizinhos, logo identificaram as vozes e o som, apesar de pouquíssimos terem anteriormente ouvido, e a notícia se espalhou: os Beatles estão tocando no terraço do edifício! E são músicas novas! O que significa isso? 


Em seguida, outros telhados de edifícios foram sendo povoados, as ruas começaram a ficar cheias de pedestres, e de carros parados, e a notícia do tumulto chegou à delegacia de polícia. Cerca de 35 minutos depois de começado o show, os policiais  chegavam ao terraço, enquanto Paul cantava ‘Get Back’ pela terceira vez, e lançou aquele sorriso, como que pensando: ‘Yes, we did it!!!’. Os policiais informaram que aquilo não poderia continuar e chegaram a desligar o amplificador de George, que foi lá, irritado, e ligou de novo. Finda a canção, Paul brincou: “Ah, meninos levados, tocando mais uma vez no terraço, deste jeito vocês vão acabar na cadeia!!!

Foram 42 minutos de gravação, tudo registrado em filme e fitas. Foram cinco canções, todas Lennon/McCartney. Entre elas, as famosas ‘Get Back’ de Paul e ‘Don´t Let Me Down’ de John que foram lançadas em compacto. As demais, ‘Dig a Pony’, ‘I’ve Got A Feeling’ e ‘One After 909’ foram deixadas para o que seria o LP  ‘Let It Be’. Aquela tal de ‘One After 909’, pouco conhecida, era uma composição antiga da época do começo da dupla, em 1957, felizmente revivida, pois é ótima. Assistindo novamente, eu me arrepio todo vendo-os tocar tão bem, fazendo duetos, se divertindo. Eles tinham que continuar... 

Além de John, Paul George e Ringo, tocava com eles o notável tecladista Billy Preston, único músico externo creditado em um disco dos Beatles!!

Entretanto, apesar de todo o esforço, o projeto Get Back, como um todo, foi considerado de qualidade insuficiente para um lançamento beatle. Haviam inclusive tirado a foto da capa do álbum, com os quatro Beatles na mesma posição da foto que tiraram para seu primeiro álbum, ‘Please Please Me’, de 1963, na escadaria da EMI. Felizmente, a foto foi aproveitada no lançamento das coletâneas Vermelha e Azul, em meados da década de 1970. Somente depois do fim dos Beatles, o trabalho foi compilado e lançado no álbum ‘Let It Be’.

De qualquer forma, o desempenho dos rapazes naqueles pouco mais de 40 minutos foi perfeito, mandaram muito bem, até repetiram algumas canções, mas tudo deu maravilhosamente certo, até mesmo o gran finale, com a entrada da polícia, era tudo o que eles queriam. Na verdade, Ringo até sugeriu que tocassem até serem carregados presos pelos policiais. 

Felizmente, o 'Rooftop Concert' (quase 6 milhões de entradas no Google) foi registrado para a posteridade, com todos os detalhes, inclusive com o fechamento irônico de John:


Em nome do grupo, obrigado a todos,

e espero que tenhamos passado no teste!



Como se eles precisassem disso!
Quem quiser conferir o evento, está neste link, abridged, em 21 minutos, com todas as canções e imagens divertidíssimas da reação do povo nas ruas e dos policiais:
https://mais.uol.com.br/view/j33zw4lwgvcq/show-dos-beatles-na-apple-records-1969-04028C183968D0C14326?types=A&

O Felipe esteve em Londres há uns anos e me presenteou esta camiseta. 
Eu a uso frequentemente e sempre me lembro do Concerto no Telhado!!!


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A Rua de Baixo - Uma crônica de Virgínia Abreu de Paula

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